Tipos de riscos

Para entender o quanto um fundo é arriscado, é legal dividir os tipos de risco que você corre quando aplica em um fundo. Isso não siginifica que esses tipos de riscos acontecem isoladamente. Geralmente, eles estão interligados. Mas vale a pena fazermos essa divisão para ficar mais fácil de entender os conceitos. 

Risco de crédito
Vamos imaginar que você empreste dinheiro ao seu vizinho e ele prometa pagar juros para você. Existe uma possibilidade que ele não pague a dívida. Isso é o que chamamos de risco de crédito. Quando você investe em fundos existe risco de crédito. Por quê? Da mesma forma que você pode decidir emprestar dinheiro para seu vizinho, o gestor do fundo coloca seu dinheiro em alguns tipos de aplicações que são parecidas com um empréstimo. 

O fundo pode comprar uma debênture, por exemplo. Não se assuste com o nome! Uma debênture é uma dívida de uma empresa, que promete pagar juros pelo dinheiro que ela recebe. Assim, se um fundo compra uma debênture, é quase como se ele tivesse emprestando dinheiro para essa empresa. Qual o risco de crédito? O de a empresa não pagar o que deve. 

O gestor do fundo pode decidir emprestar para o governo. Para isso, ele precisa apenas comprar um título público. Pode acontecer de o governo dar calote? Esse é um risco muito baixo atualmente, mas você nunca pode estar 100% certo de que no futuro não haverá nenhuma crise que leve o governo a não pagar sua dívida. Então há risco de crédito também!

Você já deve ter percebido que há diferentes tipos de risco de crédito, certo? O risco de emprestar para o governo é bem pequeno, o de emprestar para uma grande empresa, é um pouco maior, já se você emprestar para uma empresa menor, é um pouco mais alto. No caso do fundo, para saber que tipo de risco de crédito você vai correr, é só você olhar a classificação e o tipo de fundo [link] e, como sempre, ler o prospecto antes de investir. 

Importante: quando você compra cotas de um fundo de investimento, não está aderindo ao risco de crédito da instituição que administra o fundo. O risco está na carteira, ou seja, nas aplicações que o fundo fez com o seu dinheiro, não em quem a administra. Se a instituição na qual você tem investimentos quebrar, você só vai perder a parcela do patrimônio investida em ativos dessa instituição financeira. Vale reforçar que um fundo não pode ter mais que 20% do seu patrimônio investido em papéis da mesma instituição financeira que o administra. Se não houver papéis daquela instituição na carteira, o banco quebra e seu dinheiro continua protegido no fundo.

Risco de liquidez
Quando você quer vender algo seu, como um carro, um computador, ou mesmo uma casa, conseguir um comprador pode demorar um pouco. O risco de você não conseguir vender, ou seja, não conseguir alguém disposto a te dar dinheiro pelo que você quer vender, é o que nós chamamos de risco de liquidez. 

Isso pode acontecer no mercado financeiro também. Você poderia ter uma ação de uma empresa e não conseguir ninguém disposto a comprar. A saída, tanto no caso de um bem quanto de uma aplicação, é você tentar baixar o preço para conseguir vender. 

No caso do fundo, o risco de liquidez é exatamente isso: o gestor pega seu dinheiro e aplica em diversas coisas: em títulos públicos (que é como emprestar dinheiro para o governo), em debêntures (que é como emprestar dinheiro para empresas) ou em ações (a mesma coisa que virar sócio de uma empresa). Para alguns tipos de aplicações, tem sempre muita gente querendo comprar ou vender e, nesse caso, dizemos que há muita liquidez. O risco, então, é baixo. Mas para outras, pode haver poucos compradores ou vendedores e, nesse caso, o risco de liquidez é maior. Como, dependendo do tipo de fundo, ele aplica em muitas coisas, sempre existe algum risco de ele não conseguir vender algo e ter que baixar o preço: o que reduz os ganhos do fundo, ou mesmo pode causar uma perda. 

Para saber a que tipos de risco de liquidez você estará exposto quando investe em fundos, você pode consultar a classificação e tipo do fundo, que já te dará uma ideia geral. Mas antes de investir, você não pode deixar de ler o prospecto e avaliar os riscos gerais que o fundo correrá. 

Risco de mercado
Para entender o risco de mercado, vale você imaginar uma situação real, ou melhor, que poderia acontecer com você: você e seu irmão têm vários amigos precisando de dinheiro e todos eles te pedem R$ 1.000,00. Eles prometem te pagar em um mês e no final eles ainda pagarão R$ 100,00 de juros. Você decide emprestar para um dos seus amigos, pega o dinheiro e entrega para ele. Seu irmão resolve esperar.

Passada uma semana, seus outros amigos continuam precisando de dinheiro. Eles fazem uma nova oferta, e dizem que, por R$ 1.000,00, vão pagar R$ 200 de juros. Seu irmão resolve emprestar para um deles, e fica muito feliz. 
Esse é um exemplo de risco de mercado: ele ocorre quando as condições de mercado mudam e você tomou uma decisão que é afetada por essas condições. Nesse caso o que mudou foi a taxa de juros. Primeiro, seus amigos ofereciam juros de 10% (que é R$ 100 para um empréstimo de R$ 1.000), depois, de 20% (que é R$ 200 para um empréstimo de R$ 1.000,00).

Quando mudam as condições de mercado, o valor das aplicações é afetado. Nesse caso, a sua aplicação vai valer menos do que a do seu irmão (quando os empréstimos forem pagos, seu irmão receberá R$ 1.200,00 e você receberá R$ 1.100,00). Isso pode acontecer com vários tipos de investimento em várias situações. A ação de uma empresa, por exemplo, pode subir ou cair dependendo das condições de mercado. 

Como o gestor do fundo pode aplicar em diversas coisas, dependendo do tipo do fundo, você corre risco de mercado quando compra uma cota de fundo. O tipo de fundo em que você aplica já te ajuda a saber um pouco sobre o tipo de risco que o fundo correrá, mas é importante você olhar no prospecto e avaliar o cojunto de riscos ao investir em um fundo específico.

Fonte: http://www.comoinvestir.com.br/fundos/riscos/tipos-de-riscos/paginas/default.aspx

Esse artigo foi útil?
Usuários que acharam isso útil: 0 de 0
Tem mais dúvidas? Envie uma solicitação